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Durante uma sessão recente de perguntas e respostas num webinar, me fizeram uma pergunta que encontro direto no meu campo:
“O que fazer ao enfrentar a Síndrome do Filhote Definhante?”
Confesso: é uma pergunta que adoro responder.
Sobre esse tema, desenvolvi… digamos uma perspectiva bem particular. 🙂
Por isso resolvi escrever este artigo.
Ele traz informações que, na minha opinião, todo criador canino e veterinário deveria considerar ao lidar com essa Síndrome do Filhote Definhante.
O que é a Síndrome do Filhote Definhante?
#1 Aqui vai uma verdade fundamental: A Síndrome do Filhote Definhante NÃO é uma doença específica, mas um conjunto de sintomas. Isso é essencial entender, porque muitas vezes as pessoas usam o termo como se fosse uma doença em si. Não é. Na verdade, é um termo guarda-chuva que agrupa todas as causas possíveis pelas quais um filhote recém-nascido pode não sobreviver.
#2 A palavra “síndrome” simplesmente significa um conjunto de sintomas. No caso da Síndrome do Filhote Definhante, como acabei de mencionar, a causa exata geralmente fica desconhecida, por isso é um termo usado quando não se consegue identificar com precisão o motivo da deterioração de um filhote.
#3 Então, quando falamos da Síndrome do Filhote Definhante, que sintomas vêm à mente? A realidade é que QUALQUER sinal que possa provocar o declínio repentino ou morte de filhotes durante suas primeiras semanas de vida deve ser considerado. O que, como você percebe, torna isso bem vago desde o começo.

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Quão comum é a Síndrome do Filhote Definhante?
#4 Um dado preocupante: até 20% dos filhotes podem não sobreviver além das primeiras semanas. A literatura científica é clara: essa estatística aparece constantemente.
#5 Algo crucial para lembrar: o período crítico neonatal é mais marcado imediatamente após o nascimento e durante a primeira semana de vida.
#6 Descobertas recentes revelam que 50% dos filhotes de 0 a 7 dias podem desenvolver problemas mortais SEM apresentar nenhum sintoma clínico prévio ! Esse dado impressionante nos lembra algo realmente importante: a prevenção e os cuidados proativos não são apenas recomendados – são VITAIS!
#7 A taxa de mortalidade neonatal em canis exige toda nossa atenção. Monitorar esse parâmetro rigorosamente é, na minha opinião, inegociável. Todo canil deveria ter um painel de controle específico para acompanhar esse indicador crucial. Lembre-se: só se pode melhorar o que se mede. Esse é o padrão ouro que toda criação canina deveria buscar.
O que causa a Síndrome do Filhote Definhante?
#8 Um dos principais responsáveis pela mortalidade neonatal em filhotes é o que chamo de Síndrome dos 3H. Esse termo agrupa três condições: Hipotermia, Hipoglicemia e Desidratação.
#9 Hipotermia: Os filhotes, especialmente durante as 3 primeiras semanas de vida, não conseguem regular sua temperatura corporal. Uma queda importante pode provocar várias complicações.
#10 Um dado alarmante: quando a temperatura interna de um filhote recém-nascido cai abaixo de 34°C (93,2°F), a digestão para; e a 32°C (89,6°F), o reflexo vital de sucção desaparece tragicamente.
#11 Aqui um contraste impressionante nos cães: enquanto os adultos mantêm uma temperatura de 38-39°C (100,4-102,2°F), os recém-nascidos começam em 35-36°C (95-96,8°F) e só alcançam os valores adultos depois de três semanas.
#12 A temperatura é na verdade um indicador-chave do risco vital em filhotes de uma semana. Está estabelecido que uma temperatura menor que 36°C (96,8°F) com 12 ou 24 horas após o nascimento representa um perigo grande!
#13 Hipoglicemia: Uma taxa muito baixa de glicose no sangue pode comprometer gravemente o estado dos filhotes, afetando seu nível de energia e saúde geral.
#14 Aliás, valores extremos de glicemia (<72 mg/dL ou >192 mg/dL com 12 horas; <79 mg/dL ou >180 mg/dL com 24 horas) agora são reconhecidos como fatores de risco significativos!
#15 Desidratação: Uma hidratação adequada é essencial para os filhotes. Um déficit de líquidos pode rapidamente levar a complicações, o que não surpreende em indivíduos compostos por 82% de água!
#16 A Síndrome dos 3H é considerada uma das principais causas de mortalidade neonatal canina. A razão é simples: essas 3 condições (Hipotermia, Hipoglicemia, Desidratação) estão intimamente ligadas. Uma pode desencadear a outra!
#17 Embora vários fatores possam contribuir para a Síndrome do Filhote Definhante, as doenças infecciosas costumam ter um papel determinante.
#18 A brucelose canina sempre merece ser considerada. Essa doença está em ascensão, especialmente na América do Norte e Europa Ocidental, onde casos recentes foram relatados na imprensa e publicações científicas. Por isso deveria continuar sendo uma preocupação prioritária!
#19 Por outro lado, o herpesvírus canino é frequentemente citado como causa potencial da Síndrome do Filhote Definhante. Porém, seu papel é menos importante do que se pensava, já que esse vírus é na verdade bastante comum na população canina.
#20 Na prática, qualquer agente patógeno que infecte um filhote recém-nascido pode potencialmente provocar essa síndrome. Duas fontes devem ser consideradas: a mãe e o ambiente.
#21 Nunca subestime esse fato: o cordão umbilical nos recém-nascidos é uma porta de entrada importante para infecções. Quando inflama (onfaloflebite), representa um fator importante de mortalidade e morbidade nos mamíferos.
#22 Por isso os cuidados com o cordão umbilical durante a primeira semana são primordiais e nunca devem ser negligenciados. É uma medida simples que pode mudar tudo! Confira este artigo para saber mais.
#23 Não esqueça: os parasitas digestivos como os áscaris (Toxocara canis) também representam uma ameaça. Eles enfraquecem os filhotes por dentro ao privá-los de nutrientes essenciais.
#24 Praticamente todos os filhotes nascem portadores desses parasitas. Para limitar seu impacto, é crucial vermifugar a mãe durante a gestação. Confira este artigo para mais detalhes.
Como reconhecer (e prevenir) a Síndrome do Filhote Definhante
#25 Como mencionei antes, os momentos após o nascimento são críticos. Por isso é importante avaliar a saúde e vitalidade dos recém-nascidos o mais cedo possível. Para isso, o escore APGAR é A ferramenta de referência. Falei sobre isso num artigo anterior: confira, porque é realmente decisivo na neonatologia!
#26 Um monitoramento rigoroso pode fazer toda a diferença. Os indicadores-chave são: temperatura e glicemia, como mencionei antes; mas o mais importante continua sendo o peso!
#27 Regra básica: um filhote saudável deve ganhar peso regularmente. TODA vez que perder peso, pode haver um problema!
#28 Estudos recentes definiram os limiares de crescimento preocupantes: menos de 1,5% no dia 1, e menos de 2,7% no dia 2 após o nascimento.
#29 Na maternidade de um canil, três ferramentas de monitoramento são indispensáveis: uma balança, um termômetro e um medidor de glicose!
#30 Outro ponto crucial: garanta o consumo de colostro! O colostro, primeiro leite materno, é um verdadeiro elixir para os filhotes. Rico em anticorpos, fortalece o sistema imunológico e protege contra doenças para as quais a mãe está vacinada ou que ela enfrentou.
#31 O colostro vai além da sua função imunológica; é um verdadeiro combustível vital! Esse concentrado precioso, dado logo após o nascimento, multiplica consideravelmente as chances de sobrevivência do filhote.
#32 Dado para lembrar: quase 20% dos filhotes não recebem colostro suficiente! Monitorar o ganho de peso continua sendo a melhor forma de verificar um consumo adequado, já que os dois estão diretamente relacionados.
#33 O tempo urge quando se trata da Síndrome do Filhote Definhante. Por isso é preciso identificar os filhotes em risco o mais cedo possível. Detalhei o protocolo que recomendo no meu ebook gratuito sobre neonatologia canina, disponível aqui.
Como lidar com a Síndrome do Filhote Definhante
#34 Uma intervenção imediata pode fazer a diferença entre a vida e a morte. Duas prioridades: fornecer energia e otimizar o ambiente.
#35 Detectou um filhote em risco? Aja sem demora! Para esses filhotes, a alimentação com mamadeira não é um simples complemento; é um aporte energético vital, mesmo se o filhote estiver mamando naturalmente. Por isso um substituto do leite canino de qualidade é indispensável na sua maternidade.
#36 Insisto: você precisa de um substituto do leite canino de qualidade. Leite de cabra NÃO é uma alternativa apropriada.
#37 Alimentação com mamadeira? Domine o básico. Filhotes não são bebês humanos: a posição é fundamental. Evite também o “erro de reconstituição” — uma armadilha frequente que causa constipação e/ou diarreia nos recém-nascidos. Explico tudo isso neste artigo.
#38 Para condições ambientais ideais, a temperatura é prioritária. Busque 30°C (86°F) no ninho durante a semana 1, 28°C (82,4°F) na semana 2, e 25°C (77°F) na semana 3. Atenção: essas temperaturas são para o ninho, não para o ambiente todo — senão a mãe pode abandoná-lo pelo calor excessivo.
#39 No microclima do ninho, a umidade é essencial. O ideal? 55±10%.
#40 Equipe sua maternidade com uma estação meteorológica compacta para garantir a manutenção dessas condições.
#41 Ouço direto: “A natureza é nutritiva e cruel ao mesmo tempo. Às vezes, as cadelas abandonam instintivamente um filhote com Síndrome do Filhote Definhante para concentrar sua energia nos mais robustos.” Do meu ponto de vista, é uma visão equivocada. As mães geralmente abandonam filhotes com hipotermia… Então otimize o ambiente, mantenha a temperatura e, pela minha experiência, tudo muda!
#42 Filhote vulnerável detectado? Aplique essas medidas e observe uma melhora em 24 horas. Sem progresso? Consulte imediatamente um veterinário! Cada instante conta!
A Síndrome do Filhote Definhante pesa muito no mundo da criação canina, sendo muitas vezes fonte de incerteza.
Porém, a clareza está ao alcance: NÃO é uma doença única, mas uma síndrome com múltiplas facetas.
Identifique sua causa, e você poderá agir imediatamente.
Boa notícia: hoje nossos conhecimentos sobre o tema não têm precedentes.
Graças a medidas concretas para filhotes em risco e a combinação de vigilância, experiência e intervenção rápida, os profissionais podem vencer as ameaças da Síndrome do Filhote Definhante.
E assim criar um ambiente mais seguro para cada filhote que nasce.

One of the most common challenge we encounter in breeding kennels is NEONATAL MORTALITY.
It can be very frustrating… even heart-breaking.
Good news though : you can do something about it !
We now have more knowledge than ever in this discipline.
In recent years, new research brought us a much better understanding of what can be done to optimize the health of newborn puppies.
By taking this course, this is what you will learn indeed !